Globalização


'Globalização de alimentos' garante pratos variados ao redor do mundo
Os alimentos atravessam oceanos até as nossas casas. Os brasileiros também são eficientes na tarefa de encher as prateleiras mundiais.

Se esquecermos por um instante a inflação e os preços e entrar em um supermercado com o olhar atento, a experiência pode ser deliciosa. Alguns alimentos atravessam oceanos para chegar às nossas prateleiras.
De todas as redes mundiais que a globalização criou, esta talvez seja a mais importante: é a que garante que, todos os dias, haverá comida na mesa de milhões de pessoas ao redor do planeta. É a conexão global dos alimentos que faz bacon dinamarquês ser consumido no Japão; ervilhas canadenses na Índia; e soja brasileira na China.

Essa fantástica e veloz máquina planetária assegura que teremos frutas e legumes no supermercado em todas as estações do ano. Tem mais um benefício importante: permite que populações de lugares isolados possam vender seus produtos nos mais ricos mercados da Europa, Japão e Estados Unidos.

Hesham khalifa planta batatas no Egito, onde a temperatura no deserto chega a 45°C. A abertura para os mercados internacionais permitiu que ele investisse o suficiente para fazer chover no deserto. Além de água, o sistema de irrigação leva fertilizantes para a terra árida.
A grande vantagem de plantar batata no deserto é que o agricultor não precisa usar agrotóxicos, já que as pragas não existem ali. O Egito é hoje um dos maiores exportadores de batatas do mundo, mas é preciso muita tecnologia para que cheguem frescas às prateleiras.

A invenção do container foi uma revolução no transporte. As batatas podem ser embarcadas no Egito e passar por caminhões e barcos de forma segura.
Em Gana, na África, os moradores de uma vila plantam um dos produtos mais perecíveis: frutas frescas. Na remota vila de Abor, os moradores participam de um projeto internacional que permite a pequenos agricultores exportar seus produtos.

“Se recebemos encomendas de três mil abacaxis por dia, dividimos o pedido entre todos os agricultores”, explica Frank Essel.

Conseguem atender graças à tecnologia. Para saber se o abacaxi está pronto para a colheita, eles usam um aparelho chamado refratômetro, que mede a concentração de açúcar. Quando o aparelho dá o sinal, eles vestem roupas especiais para se proteger das folhas, que podem provocar cortes, e correm contra o tempo.

Para evitar que apodreçam no caminho, os abacaxis são envolvidos em um plástico especial, com furos invisíveis a olho nu. Os furos permitem a saída de dióxido de carbono, produzido naturalmente pela fruta, mas impedem a entrada de oxigênio, que poderia alimentar fungos, que estragariam a planta. Complicado? É mesmo, mas é fundamental para que esses agricultores lá do interior da África sejam ativos participantes desse mundo globalizado dos alimentos.

É essa conexão mundial que também permite que um dos menores países do mundo, a Holanda, produza um terço dos pepinos e pimentões exportados no mundo e um quarto dos tomates. Um feito e tanto para um país que tem pouco sol na maior parte do ano. Os holandeses conseguem vencer esses obstáculos com estufas, já que 25% das estufas do mundo estão lá. Lâmpadas especiais reproduzem a luz do sol.

Os brasileiros também são muito eficientes na tarefa de encher as prateleiras mundiais. O Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos, e alguns dos nossos maiores consumidores estão do outro lado do planeta. Se ocorrer algum problema nas lavouras do Brasil, os efeitos são sentidos no Oriente. A China, por exemplo, está enfrentando uma alta taxa de inflação no começo deste ano, e um dos motivos apontados pelos economistas é o aumento dos preços dos alimentos produzidos no Brasil.

A rede mundial de alimentos também recebe muitas críticas. É acusada de gastar muito combustível com o transporte, o que acelera o aquecimento global. Muitos defendem que a agricultura deveria ser feita localmente, a pouca distância dos consumidores. Mas, com um sistema cada vez mais veloz e eficiente de distribuição e com tanta gente para alimentar no mundo, vai ser difícil voltar atrás na globalização dos alimentos.