Crise econômica na Europa.

Acredita-se que a grande crise que está ocorrendo na Europa (muito parecida com as crises que ocorreram desde a Segunda Guerra Mundial), tenha sido resultado de problemas fiscais. Alguns países, nos últimos anos, passaram a gastar mais do que arrecadavam com impostos, então passaram a acumular dívidas. Conforme as dívidas aumentavam e a desconfiança de que os governos não teriam condições de pagar suas contas crescia, os investidores passaram a temer possuir ações, títulos públicos e privados europeus.
Os países que se encontram em crise são Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, os mesmos que como citado anteriormente não controlaram as dívidas.
Em reação a crise, foram aprovados dois pacotes de socorro para tentar "ganhar tempo" enquanto os países mais endividados tentam reorganizar suas economias e recuperar a confiança dos investidores. Um desses foi direcionado especialmente à Grecia e o outro foi direcionado a União Européia. A maior parte do dinheiro envolvido nesses pacotes de socorro virá de países europeus e o restante do FMI (Fundo Monetário Internacional).
http://veja.abril.com.br/perguntas-respostas/crise-europa.shtml







Merkel e Sarkozy marcam reunião para discutir medidas contra crise
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, vão se encontrar na próxima terça-feira, para discutir possíveis reformas na zona do euro.
Durante o encontro, que ocorrerá em Paris, os dois líderes farão propostas conjuntas para melhorar a governança do bloco, diante da recente desconfiança do mercado sobre a habilidade de seus líderes para lidar com a crise da dívida.
A reunião foi marcada nesta quinta-feira, em meio a rumores sobre um possível rebaixamento dos títulos da dívida francesa, que acabaram invertendo, nessa quarta-feira, o movimento de recuperação nos mercados financeiros globais.
Segundo a presidência francesa, Sarkozy e Merkel também discutirão "outros assuntos internacionais".
As principais bolsas europeias ficaram voláteis nesta quinta-feira, mas fecharam o dia com altas de cerca de 3% --justificadas principalmente pelo anúncio do encontro entre Merkel e Sarkozy.
No Brasil, a Bovespa fechou o dia em alta de 3,79%, a 53.343 pontos, recuperando a baixa dos últimos dias, principalmente após o rebaixamento da dívida americana, na sexta-feira.
A bolsa de Nova York também teve bons resultados, surpreendendo o mercado: o índice Dow Jones subiu 3,94%, enquanto o Nasdaq fechou em alta de 4,69%.

PUNIÇÃO

O órgão regulador do mercado francês anunciou que vai investigar e punir os responsáveis pelos rumores sobre um possível rebaixamento dos títulos da França.
Nesta quinta-feira, Sarkozy voltou a negar os rumores, e as ações de empresas da França se recuperaram, após registrarem perdas expressivas no dia anterior. Os papéis do banco Société Générale foram os mais atingidos, com baixa de 14,47%.
O fato de os bancos franceses serem alguns dos maiores credores de países com alto endividamento na zona do euro explica a preocupação dos investidores, segundo analistas ouvidos pela BBC.

'MAIS DIFÍCIL'

Em Londres, o ministro das Finanças britânico, George Osborne, disse que a crise global mostra que a recuperação pode levar mais tempo do que o esperado.
"A História nos ensina que a recuperação nesse tipo de recessão sempre foi difícil --e alertamos que nesse caso ocorreria o mesmo", disse Osborne.
"Mas o mundo inteiro se deu conta que os mercados estão acordando para esses fatos e isso é o que torna o momento em que vivemos o período mais perigoso para a economia global desde 2008."

ITÁLIA

Além da situação complicada na França, a Itália também enfrenta problemas. O ministro das Finanças da Itália, Giulio Tremonti, afirmou ao Parlamento que haverá cortes no orçamento do governo, privatizações e aumento de impostos.
As medidas são parte de um programa para convencer o BCE (Banco Central Europeu) de que a Itália está controlando seus débitos. O órgão anunciou no domingo que iria irá comprar títulos do país, assim como da Espanha, na tentativa de conter a crise financeira.
Tremonti não deu muitos detalhes sobre as exigências do BCE. "Se eu puder ser um pouco mais específico sobre as recomendações que vêm de fora, elas dizem respeito tanto à questão do crescimento como ao lado da dívida pública."
O primeiro-ministro Silvio Berlusconi teve uma reunião de emergência com Tremonti e com o presidente do país, Giorgio Napolitano, para avaliar a eficácia das medidas contra a crise.
Berlusconi também se encontrou com Mario Dragui, o futuro diretor do BCE.
O grande temor na Europa é o de que a crise da dívida soberana de se espalhe pela zona do euro.
A crise já atingiu Grécia, Portugal e Irlanda (países que receberam ajuda financeira), e os investidores temem que a turbulência chegue à Itália e à Espanha, onde o custo da dívida pública também aumentou na última semana.

SITE: http://www1.folha.uol.com.br/bbc/958303-merkel-e-sarkozy-marcam-reuniao-para-discutir-medidas-contra-crise.shtml





Raiz da Crise Econômica na Europa


A raiz dos problemas europeus tem em comum com a dos americanos as ligações com o mercado imobiliário: o alemão Hypo é um banco de hipotecas. No Reino Unido, o Northern Rock, uma das principais instituições hipotecárias do país, foi nacionalizado neste ano. Na Irlanda, que está em recessão, analistas vinham alertando para o estouro da bolha imobiliária no país, acarretada pela desaceleração no setor de construção civil.
O governo britânico já anunciou um pacote de investimentos e cortes de impostos para estimular o mercado imobiliário. Os preços dos imóveis no Reino Unido caíram cerca de 10,5%, segundo a Nationwide Building Society.
O governo britânico tenta evitar que a previsão da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) se concretize: a organização informou que a economia do Reino Unido deve registrar contrações de 0,3% e 0,4% nos dois últimos trimestres do ano, respectivamente --o que significaria mais uma das grandes economias mundiais no território da recessão.
O britânico Bradford & Bingley (B&B), uma das grandes operadoras de hipotecas do país, também foi nacionalizado, com parte de suas operações vendida ao espanhol Santander.
Bélgica, França e Luxemburgo também se uniram para salvar o banco franco-belga Dexia, com uma injeção de US$ 9,2 bilhões. O grupo bancário e de seguros belgo-holandês Fortis também se viu em meio a problemas causados pela crise. As ações do banco já caíram mais de 70% neste ano. Autoridades financeiras da Holanda, Bélgica e Luxemburgo anunciaram a nacionalização de parte do grupo, colocando cerca de US$ 18 bilhões para evitar o colapso da instituição.
No mercado de trabalho europeu no segundo trimestre, o número de postos de trabalho na zona do euro cresceu apenas 0,2% ritmo mais lento desde 2006. Os dados mais recentes sobre a produção industrial na região, referentes a julho, mostram uma queda de 1,7%; além disso, o dado de junho foi revisado para baixo --queda de 0,2% sobre maio e de 0,8% sobre junho do ano passado (as divulgações anteriores eram de estabilidade e queda de 0,5%, respectivamente).
A OCDE espera um crescimento de 1,3% para a zona do euro neste ano, contra 1,7% na projeção anterior. A economia da região se contraiu em 0,2% no segundo trimestre de 2008, em comparação aos primeiros três meses do ano.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u453030.shtml


O aprofundamento da crise na Europa
É preciso uma mulher para pôr ordem na situação da Grécia e da crise do euro e seu nome é Angela Merkel
Timothy Garton Ash - O Estado de S.Paulo
A agonia da Grécia na zona do euro é apenas um exemplo de motores fraquejando e motoristas ruins da Europa. Como uma jamanta sobrecarregada subindo a duras penas uma ladeira íngreme, o projeto europeu está perto de parar. Se parar, nem mesmo um freio de emergência poderá impedi-lo de descer de ré ladeira abaixo, fora de controle, até que saia da estrada.
Dois dos rapazes estão brigando pelo volante; outros jazem em estado de coma na área de dormir no fundo da cabine. Precisamos de uma mulher para pôr ordem na casa. Seu nome é Angela.
A Grécia e a zona do euro são a parte mais urgente dessa crise. Entre a fúria nas ruas de Atenas e a contínua desunião dos tomadores de decisões em Bruxelas, Berlim, Frankfurt e Luxemburgo (onde o grupo do euro se reúne de novo hoje e amanhã), a jamanta poderá parar a qualquer momento. Mas não se trata somente da Grécia.
Também na Irlanda, Portugal e Espanha a ira ferve porque as pessoas sentem que os jovens, os pobres e os desempregados estão sendo obrigados a pagar pela negligência egoísta de seus políticos - e dos banqueiros franceses e alemães que emprestaram profusamente quando não deveriam absolutamente ter emprestado.
Por todo o continente, as legiões dos "indignados", como eles são chamados na Espanha, e dos "aganaktismenoi" (os ultrajados), como eles dizem na Grécia, estão crescendo. Filhos bem educados de amigos portugueses se desesperam com as oportunidades de emprego em casa, tratando de procurar emprego no Brasil, Moçambique ou Angola.
E não é apenas na zona do euro. Cada projeto grandioso isolado da União Europeia (UE) está fraquejando. França e Itália estão sugerindo que a conquista da área Schengen, onde não há controles de fronteiras, deve ser reduzida - simplesmente porque alguns milhares de pessoas da África do Norte convulsionada se refugiaram na ilha italiana de Lampedusa. Muitos países europeus já estão em pânico com a integração de imigrantes e pessoas de origem migrante, especialmente as muçulmanas. Solidariedade e justiça social - valores centrais do projeto europeu pós-1945 - estão batendo em retirada por toda parte em razão da crescente desigualdade e dos cortes de gastos para equilibrar a dívida pública.
Mudança. Mesmo a ampliação da UE, o projeto mais bem-sucedido da Europa, está chegando perto do ponto de parada. A atração magnética que era o ingresso na UE continua tendo um efeito positivo importante num país como a Sérvia, mas cada vez menos na Turquia.
Premiês e chanceleres aposentados nunca se cansam de atribuir essa vacilação do projeto europeu à falta de "liderança" (subtexto: as coisas eram bem melhores quando nós estávamos no comando). Isso é verdade, mas menos da metade da história. Pois embora a qualidade da liderança europeia seja um pouco mais pobre do que era um quarto de século atrás, a necessidade dela é maior. Por quê? Porque todos os grandes motivadores subjacentes do projeto europeu nos tempos de Helmut Kohl, François Mitterrand e Jacques Delors, e mais ainda nos tempos dos pais fundadores, enfraqueceram ou desapareceram.
Aquelas poderosas forças motrizes incluíam experiências de guerra pessoais abrasadoras, ocupação, Holocausto, ditaduras fascista e comunista; a ameaça soviética, solidariedade europeia ocidental catalisadora; apoio americano generoso e enérgico à unificação europeia; e uma Alemanha Ocidental que era o poderoso motor da integração europeia, com a França no topo como motorista. Os alemães ocidentais queriam se reabilitar como bons europeus, mas também precisavam do apoio de seus vizinhos europeus para alcançar seu objetivo nacional de unificação.
Tudo isso se foi, agora, ou está muito diminuído. Embora haja novas razões intelectualmente convincentes para o projeto, incluindo a ascensão de gigantes não ocidentais como a China, as razões não são páreo para motivadores emocionais. O coração vence a cabeça, todo dia.
A chave de boa parte disso, especialmente no lado econômico, é a Alemanha. Durante uma boa parte de sua história, o que veio a ser a União Europeia perseguiu fins políticos por meios econômicos. Para Kohl e Mitterrand, o euro era, acima de tudo, um projeto político, não econômico. Agora a bota está no outro pé. Para salvar uma união monetária mal planejada e ampliada demais, precisamos de um compromisso político excepcional. O político precisa agir para resgatar o econômico.
É aí que entra Angela Merkel. Não há nenhuma razão particular para esperar que a Alemanha assuma a frente na criação de uma política externa e de segurança europeia. Para a questão da integração de pessoas de antecedentes migrantes, cada país precisa fazer sua lição de casa. Mas se estivermos falando da economia e da moeda europeias, a Alemanha é a potência indispensável. Somente a combinação de Alemanha e Banco Central Europeu (BCE), trabalhando em sintonia, tem uma chance de acalmar os mercados poderosos.
Durante mais de um ano agora, Merkel tentou encontrar a linha estreita - talvez inexistente - onde o mínimo que pode ser feito para salvar a periclitante zona do euro se encontra com o máximo que ela acha que a opinião pública alemã consegue suportar. Ela tentou então ganhar seus parceiros da zona do euro para esse curso. Por enquanto, não funcionou.
Agora ela precisa começar da outra ponta: elaborar, junto com o BCE e outros governos da zona do euro, o melhor e mais crível acordo disponível, e depois usar toda sua autoridade para persuadir um público alemão relutante de que isso será do interesse nacional da Alemanha no longo prazo. O que é verdade. Isso porque ninguém tem mais a perder com a desintegração da zona do euro que a potência econômica central do continente. Logo poderá ser tarde demais. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
É PROFESSOR DE ESTUDOS EUROPEUS NA UNIVERSIDADE OXFORD, BOLSISTA SÊNIOR NA HOOVER INSTITUTION, UNIVERSIDADE STANFORD, E AUTOR, MAIS RECENTEMENTE, DE "FACTS ARE SUBVERSIVE: POLITICAL WRITING FROM A DECADE WITHOUT A NAME"

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-aprofundamento-da-crise-na-europa,734283,0.htm